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Comentário semanal: principais mercados recuam em meio a resultados
Sex, 30 Out, 19h23

SÃO PAULO - A semana foi negativa para os principais mercados de renda variável. A temporada de resultados continuou a ser o foco dos investidores, com divulgação de balanços de empresas de peso - incluindo, no cenário local, os números da Vale, que agradaram os investidores.

Os investidores avaliaram ainda o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, melhor do que as projeções. Por aqui, destaque para a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que revelou o comitê seguro com a inflação e otimista com a economia.

Assim, o Ibovespa encerrou o período com desvalorização de 5,40%, a 61.545 pontos, sua segunda semana de perdas. Em outubro, o índice selou seu quarto mês seguido de valorização, com alta de 0,05%. No ano, o índice acumula avanço de 63,90%.

As ações da CCR foram destaque de alta do período, com avanço de 5,14%. Na sexta-feira da semana anterior, as ações da oferta subsequente da empresa começaram a ser negociadas na BM&F Bovespa. Vale mencionar que, além da CCR, apenas três outros ativos - ALL, Lojas Renner e Light - encerraram a semana em alta no Ibovespa.

A VCP, por sua vez, é destaque negativo do Ibovespa na semana, com recuo de 14,53%, refletindo em parte a má recepção do resultado da Suzano Papel e Celulose. Os papéis da Aracruz também encerraram em queda de 14,32%. A desvalorização das commodities na semana também pressionou estas ações.

Em relação às duas ações mais líquidas do índice, todos ativos encerraram em queda. Os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras tiveram queda de 4,50% e 4%, respectivamente. Por sua vez, as ações da Vale recuaram, respectivamente, 2,84% e 3,78%.

Câmbio e Renda Fixa

O dólar terminou a semana com alta de 2,75%, cotado na venda a R$ 1,759. O Banco Central informou que, por meio das intervenções no mercado de câmbio, retirou US$ 541 milhões de circulação na semana anterior, totalizando US$ 6,518 bilhões no mês de outubro. Vale mencionar que o fluxo cambial acumulado nos primeiros 23 dias úteis de outubro ficou positivo em US$ 12,842 bilhões.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram a semana em alta na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,27%, alta de 0,05% relação à semana anterior.

Quanto aos títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 fechou cotado a 133,35% de seu valor de face, uma alta de 0,15% entre as semanas.

Já o risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, marcou 238 pontos-base, alta de 19 pontos na mesma base de comparação.

Economia dos EUA

A economia norte-americana cresceu 3,5% no terceiro trimestre de 2009, acima do esperado. Esta é a primeira prévia para o desempenho do PIB dos EUA no período. Já o deflator do PIB, que mede o custo de uma cesta de bens, veio abaixo do esperado.

O secretário do Tesouro norte-americano Timothy Geithner mostrou claramente sua posição em relação à nova proposta de regulação do sistema financeiro norte-americano. Para ele, a legislação representa uma resposta coordenada e abrangente a um problema de risco moral, de haver "instituições grandes demais para falir".

Cenário corporativo

A temporada de resultados trimestrais continuou a dominar as atenções. Os números do Deutsche Bank, Chevron e Symantec agradaram, assim como Procter & Gamble e Motorola. Por outro lado, os balanços da Exxon Mobil e Moody's não foram bem recebidos pelo mercado. British Petroleum, PetroChina, Royal Dutch Shell, Nyse Euronext, Bayer, Honda e Canon reportaram queda nos lucros no período.

Já a ArcelorMittal voltou a ter lucro após três trimestres de prejuízos - ainda que os ganhos sejam inferiores em comparação anual. A Visa, por sua vez, reverteu o prejuízo do terceiro trimestre de 2008. Por fim, os números da Verizon e MetLife vieram em linha com as expectativas, enquanto Toshiba e Sony tiveram prejuízo.

Por aqui, destaque para os números da Vale, que mostraram piora em relação a 208, mas vieram em linha com as expectativas. O mercado recebeu bem o crescimento em termos de volume e preço do segmento de minério de ferro, principal negócio da Vale. Além disso, o crescimento dos volumes no mercado chinês e sua geração operacional de caixa foram bem avaliados pelos investidores.

Por outro lado, o mercado reagiu mal aos números da Embraer e TIM - que, apesar dos lucros, mostraram recuos em indicadores como Ebitda (geração operacional de caixa). Foram divulgados também os balanços da Lojas Renner, Indústrias Romi, Banco Daycoval, WEG e Klabin, que vieram abaixo do visto no mesmo período em 2008. Santander Brasil, Brasil Ecodiesel, VisaNet, Marfrig, Totvs por sua vez, apresentaram resultados melhores em comparação anual, assim como a CSU CardSystem.

Além dos resultados, destaque para o CIT, que conseguiu US$ 1 bilhão de financiamento com o investidor Carl Ichan, após um acordo sobre a reestruturação financeira da companhia.

Agenda

Entre os indicadores dos EUA, a confiança do consumidor, o número de casas novas vendidas em setembro e o número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana vieram piores do que o esperado. O núcleo do PCE (Personal Consumption Expeditures) e o Personal Spending também recuaram em setembro. Já o Personal Income não mostrou variação.

Por outro lado, nível da atividade industrial nos EUA e os preços dos imóveis norte-americanos agradaram. O custo da mão-de-obra e o número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria, por sua vez, vieram em linha com o esperado.

No Brasil, destaque para a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) de outubro, que marcou inflação de 0,05%. Já o INA (Indicador de Nível de Atividade), que mede o desempenho da indústria de transformação paulista, registrou em setembro um recuo de 6% em comparação ao mesmo mês de 2008.

As receitas do governo central tiveram em setembro o pior resultado para o mês desde 1997. O Governo brasileiro apresentou ainda um déficit primário de R$ 5,763 bilhões durante o mês de setembro.

Por fim, a taxa de desemprego na União Europeia atingiu seu maior patamar desde janeiro de 1999.

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