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| Selic em queda mexe com renda fixa: quais as saídas para o investidor? |
| Qui, 18 Jun, 18h14 |
SÃO PAULO - Até janeiro, os investimentos em renda fixa no Brasil se mostravam bastante atrativos, frente a uma Selic a 12,75% ao ano . Depois de seis meses, com os desdobramentos da crise mundial, a autoridade monetária realizou diversos cortes nessa taxa, que chegou a 9,25% ao ano neste mês. Diante disso, qual deve ser o movimento de quem aposta na renda fixa?
Em primeiro lugar, é interessante dizer que quem aplica em renda fixa tem um perfil mais conservador e prefere estar menos exposto ao risco. Exatamente por este motivo é que o professor da FGV e Fucape, Paulo César Coimbra, acredita que o investidor terá como saída a poupança.
"Com os juros em baixa, os investidores com até R$ 50 mil vão para a poupança , levando em conta o seu perfil de renda fixa", explicou.
Mais ousados
Apesar do perfil conservador, pode ser que o investidor de renda fixa parta para as ações, mas destinando uma parte pequena de seus recursos, na opinião do gestor de Multimercados do Daycoval Asset, Anderson Rodrigues dos Santos.
"Acredito que, se a taxa de juros se mantiver baixa por muito tempo e a economia melhorar, o investidor pode, de repente, começar a olhar o mercado de ações. Começar a migrar aos poucos, já que no Brasil não temos enraizada essa cultura de investir na renda variável", disse.
Já Coimbra também assumiu a possibilidade de os investidores irem para fundos multimercados, que costumam variar as aplicações nos mercados que estão com maior rentabilidade, mas que não deixam de ter um perfil mais moderado.
Insistentes
Tanto Santos quanto Coimbra disseram que não seria espantoso se muitos investidores mantivessem seus recursos na renda fixa. Uma explicação seria que, apesar da taxa de juro em queda, ela continua a ser uma das mais altas do mundo.
Porém, essa manutenção dos investimentos, de acordo com Coimbra, aconteceria entre os investidores com mais de R$ 50 mil. Isso porque o governo já afirmou que encaminhará ao Congresso uma proposta de tributação da poupança no ano que vem, para quem tem mais de R$ 50 mil investidos, caso a Selic se mantenha abaixo de 10,5% ao ano em 2010.
A preocupação do governo é de que haja uma forte migração de fundos de renda fixa para a poupança, tendo em vista que esses fundos estão atrelados a títulos públicos federais, que financiam a dívida pública.
Custo mais baixo
De acordo com Coimbra, diante de todo esse cenário, não restam dúvidas quanto a três movimentos:
Mas quem sair da renda fixa deve tomar um cuidado: os estímulos dados pelos governos mundiais à demanda, em meio à crise, podem gerar uma pressão inflacionária. A resposta da autoridade monetária a isso seria o aumento da taxa Selic, o que tornaria o investimento em renda fixa mais atraente, num segundo momento.
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