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Lucro certo? Ao contrário do que muitos pensam, renda fixa não está isenta de riscos
Qui, 24 Jul, 10h00

SÃO PAULO - Não é segredo nenhum que a renda variável tem como uma de suas principais características uma maior suscetibilidade às turbulências nas praças financeiras, sendo desta forma, um investimento de alto risco por excelência. Prova disto é o Ibovespa, que neste ano, amarga uma queda próxima a 7%. Nos últimos 30 dias, a desvalorização é de mais de 8%.

Frente a tal pífio desempenho, muitos pequenos investidores, até então embalados pelo histórico positivo que o mercado brasileiro apresentou nos últimos anos, vêm redirecionando seus investimentos do mercado de ações para o segmento de renda fixa, à procura de maior segurança e de retorno certo em tempos tão voláteis. Mas é nesta hora que prejuízos podem incorrer.

O segmento de renda fixa, na contramão do pensamento popular, não é sinônimo de lucro certo, muito menos está completamente isento de riscos, como, aliás, todo e qualquer investimento financeiro. É bem verdade que algumas das aplicações em renda fixa, como a caderneta de poupança, possui riscos muito limitados, mas a prerrogativa não é válida para todas as aplicações.

Distância de pré-fixados

Dada a extensa gama de mercados e categorias que a renda fixa abarca, não são raros os casos de investidores que pensam estar recorrendo a investimentos conservadores quando, na verdade, seu dinheiro está posicionado em uma aplicação altamente arriscada. Sob a atual conjuntura em que se encontra a economia brasileira, isto significaria, principalmente, aplicar em títulos pré-fixados.

Quem por exemplo, adquiriu uma NTN-F (Notas do Tesouro Nacional - Série F) com vencimento em janeiro de 2017 acumulou somente em junho uma perda bruta superior a 5%, considerando dados de 23 de julho. O principal motivo é que a taxa de juro que tal título paga é definida quando da emissão do título.

Apesar de aparentemente isto ser uma característica defensiva, não é o que geralmente ocorre na prática, uma vez que são raros os casos daqueles que esperam o vencimento de seu título para vendê-lo. Com o atual ciclo de aperto monetário no Brasil, vender um título pré-fixado antes de sua data de expiração fatalmente traz prejuízos devido à relação inversa que taxa de juro e preço do título guardam entre si.

Desta forma, Milena Landgraf, gestora de fundos, recomenda distância de títulos pré-indexados, principalmente para aqueles investidores mais conservadores e/ou para aqueles que podem necessitar resgatar mais cedo seu capital aplicado no investimento. Leitura similar é adotada também por Érico Capelo, superintendente de renda fixa do Banco Itaú.

Prazo e índices de inflação

Mas outro fator influi também na volatilidade de aplicações em renda fixa: o prazo do título, que quanto maior for, maior é a suscetibilidade de suas taxas de rentabilidade em um cenário de alteração nas taxas de juros. Desta forma, aquele que se considera mais conservador deve procurar por títulos mais curtos, que embora tenham ganhos mais limitados, são mais defensivos.

Além dos títulos pré-fixados em geral, Érico Capelo pede atenção também aos títulos indexados a índices inflacionários, como as NTN-B (Notas do Tesouro Nacional - série B), que respondem às variações no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ou as NTN-C (Notas do Tesouro Nacional - Série C), atreladas ao IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado).

Mas momento é valioso

Entretanto, apesar dos inúmeros desafios que um aperto monetário embute às aplicações financeiras de qualquer espécie, sejam de renda fixa ou variável, um consenso se forma entre os analistas: o momento é extremamente rico de oportunidades para aqueles um pouco mais atentos ao mercado. "O pico dos juros futuros deve acontecer por volta do terceiro trimestre do ano, abrindo uma boa janela de entrada", afirma Landgraf.

Capelo vai ainda mais além. "A taxa de juro brasileira deve voltar a cair no máximo dentro de dois anos. Com isso, o momento é propício tanto para aqueles que operam no curto prazo quanto para aqueles de olho no longo prazo, dado os prêmios excessivamente altos", afirma o superintendente do Banco Itaú. E Capelo observa que o ambiente brasileiro para renda fixa é, de fato, um dos mais atrativos no mundo.

"Como linha geral, o Brasil ainda é um País que tem uma taxa real de juro altíssima quando comparado a outros países do globo. Mesmo com um juro projetado para os próximos doze meses em torno dos 14%, 15% e uma inflação acerca dos 5%, a diferença entre os dois é expressiva", afirma. "Por isso, o ideal é aplicar e esquecer; desconsiderar o momento complicado no curtíssimo prazo", recomenda.

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