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Página principal  >  Finanças pessoais  > Inflação faz cair a intenção do consumidor de gastar mais com bens duráveis Infomoney
Inflação faz cair a intenção do consumidor de gastar mais com bens duráveis
Qua, 23 Jul, 17h16

SÃO PAULO - A intenção dos consumidores de gastar mais na compra de bens duráveis nos próximos seis meses caiu de 13% para 10,7% entre junho e julho, enquanto a dos que esperam gastar menos foi de 29,2% para 29,3%, de acordo com o ICC (Índice de Confiança do Consumidor), divulgado nesta quarta-feira (23), pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Para o economista da FGV, Aloísio Campelo, os índices são influenciados principalmente pela inflação, aliada à mudança de percepção da economia. "O consumidor está mais cauteloso com novas dívidas. Ele sente que a economia vai desacelerar", afirma.

Em relação a março, a queda é maior. Há quatro meses, 24,4% dos consumidores pretendiam gastar mais e 19,8% previam gastos menores.

Diferenças entre classes sociais

Campelo também considera que, entre as pessoas das classes sociais mais baixas, a queda na intenção de gastos acontece devido ao fato de que somente os alimentos comprometam 40% da renda desta população. Para ele, a inflação desses produtos faz com que a classe social deixe de comprar outros bens.

"Já para o consumidor de alta renda a questão é mais de expectativas", considera. Segundo o economista, essas pessoas costumam ter mais informações sobre o rumo da economia, e se tornam mais cautelosas.

Campelo destaca que entre as pessoas com menor renda, 21,2% previam gastos maiores em março, enquanto em julho esse índice caiu para 9,1%. Outros 19,5% estimavam gastos menores no terceiro mês do ano e, quatro meses depois, o número subiu para 24,2%.

Entre as pessoas com maior renda, 28,3% esperavam gastar mais com bens duráveis em março, contra 13,3% em julho. Já considerando aqueles que previam gastos menores, o índice foi de 9,4% para 24,2%. "A piora é até maior nessa faixa de renda, embora ainda tenha mais consumidores que pretendam comprar mais", afirma.

Sem drama

Por outro lado, Campelo ressalta que a piora foi na percepção da economia em geral. "Não houve grande mudança na avaliação da economia familiar. O consumidor ainda não prevê uma coisa dramática", diz.

Para os próximos meses, o economista evita fazer previsões, já que a pesquisa da FGV considera também fatos e condições sazonais. "No Natal, por exemplo, a expectativa de compra sempre aumenta", completa.

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