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| Matemática da dívida: dificuldade com números pode ser vilã do orçamento |
| Ter, 22 Jul, 17h11 |
Por fazerem cada vez mais parte do nosso dia-a-dia, devem estar presentes, também, em nosso planejamento financeiro. A alta dos preços, o crédito facilitado e os juros, assim como estão na economia, devem constar em nosso orçamento, para que não sejamos pegos de surpresa no final do mês.
A matemática do endividamento
De acordo com o professor de matemática do Colégio Módulo, Antonio Carlos Lessa, é comum encontrarmos pessoas reclamando de sua situação financeira fragilizada, procurando sempre um culpado para tal fato. "É verdade que maior parte da população trabalha com orçamentos apertados, com salários abaixo do patamar ideal, mas o comprometimento da renda do trabalhador poderia ser melhor direcionado se alguns cuidados fossem tomados", disse o professor.
Para ele, as armadilhas financeiras às quais estamos sujeitos podem ser visualizadas antes mesmo de sua ocorrência. "Mas, para que isso ocorra, é necessário um conhecimento prévio dos sistemas financeiros que regem nossa sociedade", explicou.
Segundo o professor, mesmo que não seja de forma aprofundada, é necessário identificar fatores importantes dentro de uma operação financeira, como juros e prazos, e suas diferentes formas de apresentação.
Na ponta do lápis
De acordo com planejadores financeiros, um empréstimo não deve comprometer 30% do rendimento mensal da pessoa. No entanto, na hora de tomar um empréstimo, que variáveis devem ser avaliadas?
O ideal seria considerar o valor do bem à vista e depois comparar com o valor após o financiamento, considerando taxa de juros, encargos, prazos, parcela mensal etc.
No entanto, segundo estudo do economista Domingos Rodrigues Pandeló Júnior, professor do Ibmec São Paulo, com os prazos cada vez mais alongados na contratação de um empréstimo, as pessoas, mesmo com os juros altos, não consideram as taxas na hora da compra, ficando atentas apenas ao valor das prestações, mais baixo por conta do maior tempo para o pagamento.
"Quando o assunto é a tomada de crédito, os indivíduos têm demonstrado uma grande falta de racionalidade econômica", concluiu o economista.
Apesar de estudos concluírem que, na tomada de decisões econômicas, a emoção fala mais alta que a razão, um conhecimento um pouco maior de operações matemáticas poderia ajudar o consumidor a manter seu planejamento financeiro mais alinhado.
Por exemplo: um carro custa R$ 30 mil à vista, mas você pode pagá-lo em 60 parcelas de R$ 667,33 ou em 40 parcelas de R$ 913,67. Assumindo que ambas as opções cobram taxa de 1% ao mês, qual seria a mais viável?
É bastante comum, como já disse o professor Pandeló, o consumidor escolher a primeira opção, olhando apenas para a parcela mensal e sem avaliar as demais variáveis. No entanto, um cálculo rápido nos permite afirmar que, ao final do pagamento, a segundo opção é a mais vantajosa, como mostra a tabela abaixo:
SÃO PAULO - Crédito, empréstimo, inflação e taxa de juros são palavras que fazem parte da rotina dos brasileiros e estão presentes diariamente nos noticiários.
Os cálculos consideram apenas as taxas de juros, sem levar em contra outros encargos incidentes sobre operações de financiamento
40 meses
60 meses
Valor do carro (R$)
30 mil
30 mil
Taxa de juro (a.m.)
1%
1%
Parcela mensal (R$)
913,67
667,33
Valor final do carro (R$)
44.665,91
54.500,90
Aprendizado
Segundo o professor Lessa, este tipo de conhecimento não deveria se restringir ao cidadão economicamente ativo, portanto, para que não se tenha que corrigir uma situação, é necessário previni-la. "E isso só é possível se investirmos na preparação e conscientização do indivíduo desde as séries iniciais da vida escolar", disse.
"Não basta saber fazer um cálculo. É necessário entender a que ele se propõe, objetivando uma formação adequada do cidadão quando ele ainda é criança. Mudar a realidade no processo de ensino-aprendizagem de nossos jovens é primordial para a qualidade de vida que desejamos que eles venham a ter no futuro, como cidadãos socialmente responsáveis e livres de dívidas", concluiu o professor.
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