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| Conta de luz não encarece com aumento do consumo de energia do Paraguai |
| Sex, 9 Mai, 13h41 |
"O consumo do Paraguai, até pela dimensão da economia e da população do país, é pequeno. Qualquer crescimento de demanda representa absorção muito pequena do que é passado para o Brasil. Não oferece nenhum tipo de desconforto", diz o diretor-presidente da Anace, Paulo Mayon.
De acordo com ele, este ano, especificamente, houve um grande volume de chuva e o Brasil está com os reservatórios cheios. "Temos como fazer frente a esta energia que faltaria de Itaipu, com o crescimento do Paraguai, com o que foi estocado em outras usinas", afirma.
Único impacto
O único efeito direto nas tarifas dos consumidores, para Mayon, seria uma renegociação do tratado de Itaipu, que está firmado até 2023. "As distribuidoras compram cotas da usina e elas repassariam o aumento aos consumidores, por meio do reajuste anual das tarifas".
Ainda segundo ele, o Brasil pagaria mais pela energia de Itaipu somente se o contrato se estendesse. "Eu acredito na convergência de interesses. Não temos intenção de mexer no tratado, mas se acontecer um reajuste, o Brasil vai querer estender-se como a 1ª opção de comprador desta energia".
Entenda a situação
Atualmente, a produção da usina de Itaipu responde por 20% do consumo brasileiro. De acordo com o tratado firmado em 1973 e válido por 50 anos, cada um dos países tem direito à metade da energia produzida na usina binacional.
No entanto, o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% da parte que lhe cabe. O restante é necessariamente vendido ao Brasil, por força do tratado, por preço de custo.
A possibilidade de haver uma majoração na tarifa veio durante a campanha para a presidência do país vizinho. O candidato vitorioso, Fernando Lugo, defendeu a retomada da soberania do país sobre seus recursos naturais e prometeu pressionar Brasil e Argentina pela revisão dos tratados das hidrelétricas binacionais de Itaipu e Yacireta.
Sem reflexo
Dividindo a mesma opinião do diretor-presidente da Anace, o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, disse que o crescimento do Paraguai não trará problemas ao Brasil.
"Mesmo que ele dobre ou triplique o seu consumo interno, isso pouco significará para o suprimento interno do Brasil. De maneira alguma isto significará risco para o Brasil, até mesmo porque é muito pequeno o consumo interno do país vizinho", disse, segundo a Agência Brasil.
Sobre o reajuste da energia vendida ao Brasil, ele disse que não há nenhuma negociação em curso. "Existe uma posição do governo brasileiro de que o tratado de Itaipu não deve ser mexido". No caso de haver esta negociação, ele disse que o Brasil tem a obrigação de apoiar o país vizinho por ser a maior economia da América Latina.
SÃO PAULO - Um aumento do consumo da energia de Itaipu por parte do Paraguai não encareceria as tarifas da conta de luz dos brasileiros, de acordo com a Anace (Associação Nacional dos Consumidores de Energia), já que não ocasionaria falta do recurso no Brasil.
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