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| Para fugir da alta nos juros do crédito, consumidor deve poupar |
| Qua, 30 Abr, 17h13 |
"O aumento do nível de poupança é fundamental para a estabilidade da economia brasileira, pois, à medida que isso ocorre, o poder de consumo e a confiança dos investidores no País crescem também", opinou o economista Antônio Cândido de Azambuja, professor das Faculdades Integradas Rio Branco.
Melhor desde 97
A capacidade de poupança do brasileiro foi, no primeiro trimestre, a maior para o período, desde 1997. De janeiro a março deste ano, a captação líquida (depósitos menos saques) da caderneta ficou em R$ 3,6 milhões, enquanto, no mesmo período daquele ano, foram acumulados R$ 4,6 milhões.
Azambuja, contudo, entende que a situação ainda precisa melhorar. Segundo o economista, o nível da aplicação hoje é de 13%, sendo que, em sua opinião, seria necessária a fatia de 25% para garantir mais estabilidade. "Hoje, a China vem crescendo porque consegue manter nível de poupança em 47%, o que dá tranqüilidade ao investidor para focar em novas fábricas e ampliar suas bases produtivas", contextualizou.
Procura por financiamento
"Quando o nível de poupança é bom, o consumidor não precisa buscar financiamento no crédito fácil, ou seja, ele compra com o dinheiro que possui guardado", adicionou o economista. Para se ter uma idéia, a média de juros cobrada do consumidor fica em algo em torno de 130% ao ano no Brasil. A rentabilidade da caderneta é de 6,17% ao ano, mais a variação positiva da TR (taxa referencial).
Professor da Trevisan Escola de Negócios, Pedro Vartanian compartilha da opinião de Azambuja e lembra que quanto mais as pessoas poupam, maior tende a ser o custo do capital no longo prazo. De qualquer maneira, ele não entende que a poupança seja o único meio de fazer aquisições. "A expansão do crédito é positiva. O único risco é que os consumidores ainda não têm um comportamento de planejamento financeiro", continuou.
Em sua avaliação, o problema é o comprometimento da renda com o pagamento dessas dívidas - que em alguns casos chegam a ser de longo prazo, como a compra de casa e carro. O risco de inadimplência, portanto, sobe, comprometendo, mais uma vez, o equilíbrio econômico.
Desvantagem
Por outro lado, existe uma desvantagem no alto nível de poupança. Quando há ameaça da inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária) aumenta a Selic, como forma de encarecer o crédito e frear o consumo. Em uma sociedade cujas pessoas têm uma boa quantia de dinheiro guardada, essa saída pode não ser suficiente, já que elas não precisam de financiamento para continuar fazendo suas aquisições.
O mesmo acontece sob a outra ótica: em uma situação de recessão, na qual o Governo quer estimular o consumo (um caso parecido é o norte-americano, por exemplo), a autoridade monetária baixa os juros. As pessoas tomam empréstimos mais baratos e vão às compras e, como conseqüência, aquecem todas as cadeias da economia. Mas, se os consumidores preferirem poupar a ir às compras, esse estímulo fica mais difícil.
Como poupar
Segundo Vartanian, a pessoa que deseja poupar deve, em primeiro lugar, fazer um controle de seu orçamento: somar os ganhos, subtrair as despesas e cortar o que for possível. As parcelas de financiamentos, somadas, não podem comprometer mais do que 30% da renda.
Por fim, deve ser estipulada a capacidade de poupança. "Não importa se corresponde a 20%, 10% ou 5% dos ganhos. O importante é criar o hábito", explicou. Seja lá qual for a quantia, ela deve ser separada no início do mês: nada de esperar o outro pagamento para guardar o restante do anterior. "Assim, acaba gastando", continuou.
SÃO PAULO - Uma alternativa para evitar o encarecimento do crédito - situação motivada, entre outros fatores, pelo aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e pela majoração da taxa básica de juros (Selic, atualmente em 11,75% ao ano - é a criação do hábito de poupar. A opinião, compartilhada por especialistas, é que as pessoas não recorram ao crédito sempre que precisarem comprar.
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