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Página principal  >  Finanças pessoais  > Com alta da Selic, retorno dos fundos de renda fixa cresce mais que da poupança Infomoney
Com alta da Selic, retorno dos fundos de renda fixa cresce mais que da poupança
Ter, 22 Abr, 11h31

SÃO PAULO - O aumento de meio ponto percentual da Selic, anunciado na semana passada pelo Copom (Comitê de Política Monetária), faz os rendimentos dos fundos de renda fixa crescerem mais do que os da poupança - aplicação que se tornou mais competitiva com a redução gradativa da taxa básica de juro.

Segundo cálculos feitos pelo diretor da Ordem dos Economistas do Brasil, José Vieira Dutra Sobrinho, a Selic majorada de 11,25% ao ano para 11,75% anuais faz com que a poupança tenha um aumento médio de 4,22% na rentabilidade, enquanto que os fundos apresentam avanço, também pela média, de 5,18%.

Impacto

Para elaboração do estudo, Dutra avaliou o impacto que a nova taxa básica de juros tem na TBF (taxa básica financeira), utilizada como cálculo para a TR (taxa referencial) - esta, por sua vez, responsável por parte do retorno de algumas aplicações financeiras.

Foi levado em consideração um mês com 21 dias úteis. Pela poupança, foi entendido que o investidor deixou o dinheiro parado na conta por pelo menos um mês.

A rentabilidade bruta estimada para os fundos de investimentos, sem levar em consideração taxas de administração e Imposto de Renda, tem percentagem praticamente igual à da Selic. Também foi estimado que o dinheiro permaneceu mais de 180 dias aplicados no fundo, como forma de garantir a alíquota do IR em 20%.

Na tabela abaixo, é possível verificar o impacto que a decisão do Copom teve nos dois investimentos:

Impacto do aumento da Selic
Aplicação Rentabilidade mensal antes Rentabilidade mensal depois Aumento
Poupança 0,5765% 0,6008% +4,22%
Fundo de investimento* 0,5806% 0,6107% +5,18%

Fonte: José Vieira Dutra Sobrinho
*Rentabilidade levando em consideração desconto do IR (Imposto de Renda) em 20%, para aplicações com mais de 180 dias

"Por exemplo, se alguém ganhava, antes da decisão, um rendimento mensal de R$ 100 na poupança, ganhará, agora, um rendimento de R$ 104,22. No caso dos fundos, o rendimento passará de R$ 100 para R$ 105,18", resumiu o especialista em matemática financeira.

IR, IOF e taxa de administração

Pelo fato de o IR sobre fundos de investimento ter alíquota regressiva, Dutra aconselha que o dinheiro não fique aplicado por menos de 180 dias, período em que a mordida do leão fica em 22,5%.

Além disso, é preciso levar em consideração a incidência, também regressiva, do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os fundos: o tributo só deixa de incidir depois de 30 dias que o montante está aplicado.

E antes de optar pelos fundos de investimentos, a pessoa deve levar em consideração a taxa de administração. O economista alerta que aqueles com cobrança anual superior a 2% ao ano dificilmente serão mais em conta do que a poupança.

"Já a poupança não tem IOF e é isenta do IR. A pessoa só precisa esperar a caderneta completar o aniversário, antes de sacar o dinheiro, para ter a rentabilidade total do período", continuou.

Menos ou mais atrativa

Na avaliação do superintendente-geral da Abecip (Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança), José Pereira Gonçalves, o impacto que a Selic tem no rendimento da poupança não deve fazer com que a aplicação se torne menos ou mais atrativa. "O reflexo na rentabilidade é maior quando a Selic é majorada em ponto cheio. Por exemplo, se na última reunião ela fosse de 11,25% para 12,25%, ambos ao ano. Em aumentos menores que ponto cheio, o impacto não é tão grande", explicou.

Vale lembrar que a capacidade de poupança do brasileiro foi, no primeiro trimestre, a maior para o período desde 1997. De janeiro a março deste ano, a captação líquida (depósitos menos saques) da caderneta ficou em R$ 3,6 milhões, enquanto, no mesmo período de 1997, foram acumulados R$ 4,6 milhões.

Segundo dados do Banco Central, após a cifra atingida há 11 anos, praticamente todos os primeiros trimestres subseqüentes tiveram captação líquida negativa. O pior desempenho veio em 2006, quando o rombo superou os R$ 5,4 milhões. A tendência foi revertida apenas no ano seguinte, quando o saldo ficou positivo em R$ 2,9 milhões.

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