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Comentário semanal: mercados acumulam ganhos impulsionados por resultados
Sex, 6 Nov, 14h35

SÃO PAULO - Os principais mercados de renda variável voltaram a registrar ganhos durante a semana, guiados principalmente pela temporada de resultados corporativos, que vem superando as projeções. Assim, após duas semanas de queda, o Ibovespa e os índices de Wall Street encerraram o período no campo positivo.

O mercado também avaliou o Relatório de Emprego dos EUA, que, em geral, decepcionou. Foram fechadas 190 mil vagas em outubro, elevando a taxa de desemprego para 10,2%, ambos piores que as estimativas do mercado. Por outro lado, também foram revisados os dados sobre dos meses anteriores, apresentando números mais favoráveis para a base de comparação com os novos indicadores, reduzindo as apreensões.

Assim, o Ibovespa encerrou o período com alta de 4,75%, a 64.466 pontos, após duas semanas de perdas. No ano, o índice acumula avanço de 71,68%. Vale mencionar que a BM&F voltou a registrar recorde de operações em outubro e os investidores estrangeiros seguem com maior participação.

As ações da Vivo foram o destaque de alta da semana, com avanço de 12,50%. O desempenho reflete a repercussão dos resultados trimestrais da empresa, que teve lucro líquido de R$ 340 milhões - um aumento de mais de 150% na comparação com o terceiro trimestre de 2008 -, bem como a evolução das margens operacionais.

A Embraer, por sua vez, foi o destaque negativo do Ibovespa, com recuo de 3,02%. Da mesma maneira, os movimentos refletem os resultados da companhia, apresentados na última sexta-feira (30) e que foram mal recebidos pelo mercado. Vale mencionar que, além da Embraer, apenas as ações da B2W e Braskem encerraram o período em baixa.

Em relação às duas ações mais líquidas do índice, uma semana positiva. Os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras tiveram avanço de 2,72% e 2,88%, respectivamente. Por sua vez, as ações da Vale subiram, respectivamente, 4,55% e 5,48%.

Fed

O comunicado que acompanhou a decisão já esperada do Fed de manter a taxa básica de juro norte-americana na faixa entre 0% e 0,25% ao ano, menor patamar de sua história, deu indicações de quando a taxa volta a subir. Resumidamente, as taxas seguem baixas enquanto o desemprego continuar alto. Tendências (ou expectativas) de inflação mais alta também podem levar a uma elevação da Fed Funds Rate.

Outra mudança do Fed foi a redução de US$ 25 bilhões no programa de compras de títulos de dívida das agências hipotecárias.

Outros indicadores

Nos EUA, as principais montadoras da indústria automobilística emitiram sinais de recuperação em outubro. Da mesma maneira, o volume de encomendas à indústria norte-americana veio melhor do que o esperado, assim como os pedidos de hipoteca, número de pedidos de auxílio desemprego e a produtividade do mercado de trabalho.

Por outro lado, o setor de serviços dos EUA teve desempenho pior do que o esperado. O mercado ficou atento também ao ADP Employment, que mostrou corte de 203 mil vagas do setor privado dos EUA em outubro - acima do esperado, porém abaixo da última medição.

Por aqui, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 1,328 bilhão em outubro. Já a produção industrial brasileira avançou 0,8% na passagem de agosto para setembro, enquanto o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) de outubro marcou inflação de 0,25%. Por fim, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revisou o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2007 para 6,1%. O novo número representa o maior crescimento desde 1986.

Por fim, o BCE (Banco Central Europeu) decidiu manter a taxa básica de juro da região em 1,00% ao ano, assim como o BoE (Bank of England), que também manteve sua taxa básica de juro em 0,5% ao ano.

Cenário corporativo

A temporada de resultados segue a todo vapor. MasterCard, Kraft Foods, Société Générale, Cisco Systems, Ford, Deutsche Telekom, Toyota, Unilever, BNP Paribas, British Airways e Royal Bank of Scotland foram algumas das empresas que apresentaram balanços trimestrais bem vistos pelo mercado nesta semana.

Por outro lado, os números de UBS, Time Warner, AIG (American International Group) e Fannie Mae decepcionaram - sendo que esta última, além de relatar seu nono prejuízo trimestral consecutivo, encaminhou um pedido de resgate de US$ 15 bilhões - o quarto saque que a companhia solicita, levando o total injetado pelas autoridades na empresa para US$ 60 bilhões.

Por aqui, além da Vivo, o resultado do Itaú Unibanco agradou investidores, assim como os números de Braskem, BR Malls, Lojas Americanas, Gerdau, Energisa, Gafisa, CSN, Eztec, Cia. Hering, Tenda, Cremer, Banco ABC Brasil, Metalfrio, Tractebel e Agre. Já os números do Bradesco, Log-In, B2W e Paraná Banco não foram bem recebidos pelo mercado.

Além disso, o CIT Group entrou em processo de concordata no último domingo, amparado pela lei de falências dos EUA. O conglomerado de Nova York pediu a supervisão judiciária dos mais de US$ 70 bilhões em ativos e aproximadamente US$ 65 bilhões em dívidas.

Entre as blue chips, a Petrobras concluiu negociação com o China Development Bank Corporation para concessão de financiamento de US$ 10 bilhões pelo prazo de 10 anos. Já a Vale informou que precificou a oferta de US$ 1 bilhão em bônus de trinta anos no mercado global. A mineradora também assinou um acordo de transporte de insumos e produtos siderúrgicos com a Usiminas por três anos.

Câmbio e Renda Fixa

O dólar terminou a semana com queda de 2,22%, cotado a R$ 1,720 na venda, e alcançou seu menor patamar desde 5 de outubro desse ano. O fluxo cambial de outubro mostrou que a entrada de dólares no País continua sendo superior às saídas. Segundo o Banco Central, o saldo positivo de US$ 14,598 bilhões representa o maior superávit registrado desde junho de 2007.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram a semana em queda na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,11%, queda de 0,16 ponto percentual em relação à semana anterior.

Quanto aos títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 fechou cotado a 133,07% de seu valor de face, uma queda de 0,20% entre as semanas.

Já o risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, marcou 227 pontos-base, recuo de 11 pontos na mesma base de comparação.

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