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Comentário Semanal: bolsa cede à pressão externa e inicia semestre no vermelho
Sex, 3 Jul, 18h30

SÃO PAULO - Em meio à forte instabilidade verificada nos últimos pregões, os principais mercados globais não resistiram à divulgação de alguns indicadores preocupantes e iniciaram o segundo semestre do ano no campo negativo. Pior para a bolsa brasileira, que desta vez não conseguiu se descolar da influência externa e também encerrou a primeira semana de julho com desvalorização.

Nem mesmo a badalada estreia das ações da VisaNet e o anúncio de novas medidas de estímulo do Governo foram capazes de impulsionar o Ibovespa no período, que sucumbiu aos decepcionantes números do mercado de trabalho norte-americano e à fraca performance das commodities no mercado internacional.

Não obstante, o clima de cautela verificado nas bolsas internacionais exerceu forte influência nas negociações envolvendo o dólar comercial, que interrompeu a tendência verificada ao longo do ano com alta de 0,88% acumulada nas cinco últimas sessões, reagindo também às novas intervenções do Banco Central no mercado à vista.

Indicadores externos disseminam cautela

Lá fora, o noticiário corporativo trouxe poucas referências de peso e acabou dividindo as atenções com o julgamento de Bernard Madoff. O ex-presidente da Nasdaq sofreu pena máxima, de 150 anos de prisão, por megafraude projetada em US$ 65 bilhões no mercado financeiro.

Ênfase também aos números de vendas de automóveis no mercado norte-americano em junho, que apesar de terem confirmado nada menos que o décimo segundo mês negativo consecutivo para o setor, revelaram relativa estabilização da indústria automobilística dos EUA. Destaque para a Ford, que divulgou a menor retração nas vendas frente a junho de 2008 de todo o segmento.

Contudo, os grandes responsáveis pela forte volatilidade nos mercados foram os indicadores divulgados ao longo da semana. Nos EUA, apesar das surpresas positivas com dados da atividade industrial e do setor imobiliário, os investidores deram mais importância aos fracos números relacionados à confiança do consumidor e principalmente ao mercado de trabalho.

Tudo porque o Relatório de Emprego mostrou que a economia perdeu 467 mil postos de trabalho em junho, vindo bem pior do que o esperado pelo mercado. O documento, que confirmou o décimo oitavo recuo consecutivo de vagas e ainda revelou uma taxa de desemprego de 9,5% no país, foi recebido com preocupação pelo presidente Barack Obama.

Na Europa, por sua vez, o mercado avaliou a manutenção da taxa básica de juro da Zona do Euro no patamar de 1% ao ano, além da taxa de desemprego da região, que atingiu o maior nível em 10 anos. Também pesaram para o lado negativo os fracos dados referentes ao índice de atividades do setor de serviços e às vendas no varejo.

IPO da VisaNet é destaque no Brasil

No Brasil, a semana começou com as atenções voltadas ao IPO (Initial Public Offer) da VisaNet. Na maior oferta da história do mercado doméstico, com captação de R$ 8,4 bilhões, os ativos da administradora de cartões fecharam seu primeiro pregão com forte valorização de 11,8%, inflando o volume financeiro negociado pela bolsa na sessão.

Ainda no âmbito da oferta, os dois principais acionistas vendedores dos papéis da VisaNet anunciaram a contabilização da venda de sua participação. O Bradesco obteve lucro bruto de R$ 2,0 bilhões com a operação, ao passo que o Banco do Brasil alcançou uma receita de R$ 1,4 bilhão. Tais cifras deverão compor os resultados referentes ao segundo trimestre.

Saindo da esfera corporativa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a prorrogação da redução de IPI (Imposto de Produtos Industrializados) para os setores que eram contemplados com o estímulo como, por exemplo, transportes e bens de consumo. A previsão é de que o Governo deixe de arrecadar cerca de R$ 3,3 bilhões com a medida neste ano.

Na agenda doméstica, por sua vez, os indicadores inflacionários divulgados na semana - IGP-M, IPC-S e IPC-Fipe - revelaram desaceleração em suas respectivas medições. Destaque também para o avanço da produção industrial brasileira na passagem de abril para maio e para o superávit primário de R$ 1,119 bilhão apresentado pelo Governo no quinto mês do ano.

Por fim, cabe destacar que, após quatro meses consecutivos em território positivo, o fluxo de recursos dos investidores estrangeiros para as ações do País ficou negativo em R$ 1,09 bilhão em junho, conforme dados publicados pela BM&F Bovespa. Em 2009, o saldo está positivo em aproximadamente R$ 10,164 bilhões.

As variações de Ibovespa, câmbio e renda fixa

Com três quedas em cinco pregões, o Ibovespa interrompeu a trajetória de alta verificada ao longo do ano com desvalorização de 1,07% na semana, aos 50.934 pontos. Com este desempenho, a valorização acumulada pelo índice desde o início de 2009 caiu para 35,64%.

Reagindo às novas intervenções do Banco Central e ao pessimismo nos mercados, o dólar comercial interrompeu o movimento predominante ao longo do ano. Assim, com alta de 0,88%, a moeda norte-americana encerrou o período cotada a R$ 1,9530 na venda.

No mercado de renda fixa, a taxa dos contratos de DI futuro com vencimento em agosto de 2009, entre os líderes de liquidez, ficou em 8,99%, com leve alta de 0,02 ponto percentual diante do valor do final da semana passada. Por sua vez, a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 9,00%, com alta entre as semanas.

Destaques da agenda na segunda semana de julho

Dentro da agenda para a segunda semana de julho, os investidores estarão atentos, sobretudo, à balança comercial norte-americana durante o mês de junho.

No cenário nacional, o destaque fica para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho. O indicador orientará novas percepções sobre o controle da inflação doméstica.

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