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Para analistas, julho marcará espera por confirmação da retomada
Sex, 3 Jul, 11h00

SÃO PAULO - Passado um período de correção no mercado acionário brasileiro, analistas apontaram cenário incerto para o Ibovespa em julho, que deverá ser pautado por expectativas de dados sobre a economia real.

Ao longo do mês que se foi, a principal referência doméstica perdeu 3,3%, pressionada pela saída líquida de R$ 2,1 bilhões em investimentos estrangeiros.

Depois de seguidos meses de recuperação, a realização de lucro tornou-se o mote de boa parte do mercado, menos confiante no processo de retomada global - cujos principais gatilhos, os green shoots, estiveram mais relacionados a indicadores de confiança e intenção.

Espera pela confirmação

Na avaliação da Ativa Corretora, "o descompasso dos indicadores macroeconômicos e a precificação dos ativos deverá continuar assombrando os mercados". Neste cenário, é crescente a expectativa em torno da divulgação de dados sobre o mercado de trabalho e indústria.

Avaliação semelhante faz a corretora SLW, para quem "o mercado se ancorou em uma melhora de dados na margem, o que torna muito frágil a sensação de recuperação consistente".

Os primeiros indícios no mês, todavia, foram desanimadores, com dados piores que o esperado do mercado de trabalho nos Estados Unidos e Europa, assim como a reversão na tendência antes apontada pela confiança de consumidores norte-americanos.

Mais colados aos EUA

Para muitos analistas, grande parte dos papéis brasileiros tem sido negociada sob múltiplos elevados em relação a seus pares internacionais, além de possuírem limitado potencial teórico de valorização. "Apesar da esperada correção, o índice acionário local permanece relativamente bem precificado", avaliou o HSBC.

No limite de seus fundamentos, as ações no Brasil devem seguir o ritmo ditado por Wall Street, como nas últimas semanas, afirma a corretora Spinelli em relatório. Em sua avaliação, outro fator de incertezas decorrerá das medidas de regulação financeira em pauta no congresso dos EUA. "A reação dos investidores (...) é uma incógnita", afirmam seus analistas.

De modo geral, no entanto, a projeção dos analistas para a economia doméstica é favorável. Para a Ativa, "as dúvidas sobre a melhoria das condições brasileiras já não existem mais", embora ressalte que a recuperação do crescimento próximo a seu potencial dependa de uma retomada dos parceiros comerciais.

De olho na China

"As perspectivas para o país são bastante positivas", fazem coro os analistas do HSBC, que revelam preocupações sobre a recuperação do consumo nos Estados Unidos. Neste cenário, cresce a importância da China, cujas notícias ao decorrer deste mês devem ser positivas, avalia a Ativa.

No mercado acionário, contudo, não se poderá fugir da constatação de que "o otimismo visto no primeiro semestre será contido", como sustenta a corretora Spinelli, que espera pela limitação do Ibovespa aos 54 mil ou 55 mil pontos até outubro deste ano. Por sua vez, o alvo da Ativa para o índice é dos mesmos 55 mil pontos, mas para o final de 2009.

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