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Economistas: crise não foi marolinha e brasileiros ainda sofrem consequências
Seg, 2 Nov, 18h08

SÃO PAULO - Passado mais de um ano do início da crise, a confiança dos consumidores brasileiros já está restabelecida. Mas será que há mesmo motivos para tanto otimismo?

Para otimismo, o vice-presidente do Banco Luso Brasileiro, Antônio Carlos de Lauro Castrucci, diz que há motivos sim, mas diz também que é preciso cautela. "Estamos, sim, saindo dos problemas, mas ainda enfrentaremos diversos percalços", afirma.

E completa: "Nem tudo é essa maravilha que estão pintando por aí. As pessoas se baseiam nos números para dizer que está tudo bem, mas o que vemos são números agregados, que mascaram um pouco a realidade. Dizer que a massa salarial cresceu não significa que todo mundo está ganhando mais. Ao contrário, ainda tem muita gente desempregada, com o salário baixo, sem condições nem de honrar suas dívidas".

Marolinha?

Logo que a crise financeira começou nos Estados Unidos, uma frase proferida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou uma grande polêmica: "Lá (nos EUA), ela é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar".

Passado o período mais crítico da crise, economistas são unânimes em dizer que o País passou muito bem pelo período mais turbulento. Mas será que a crise no Brasil foi mesmo uma marolinha?

"Definitivamente não. Saímos bem da crise sim. Mais rápido que outros países sim. Mas há um certo ufanismo nessa história de que o Brasil é muito melhor preparado que outros países. É sim melhor que alguns, mas também pior que outros. A crise custou R$ 150 bilhões aos cofres públicos, e isso não é pouco dinheiro", afirma o ex-economista chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Roberto Troster.

"O crédito ficou escasso, a inadimplência cresceu, o desemprego aumentou e muitos brasileiros tiveram seus salários reduzidos. Isso não aconteceria se fosse uma marola. Foi realmente uma crise . O que aconteceu é que o Brasil sentiu menos porque tem sido gerido de forma muito cuidadosa e o governo tinha respaldo para tomar decisões rápidas e eficazes para minimizar os impactos", completa o vice-presidente da ACSP, Roberto Macedo.

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